5 coisas que um tradutor deve saber

O título do artigo poderia de facto ser 5 coisas que um tradutor deve saber. No entanto, para um tradutor profissional, seria talvez mais apropriado falarmos de 5 coisas que um tradutor costuma fazer sem dar por isso, visto que ao fim de alguns anos de experiência, a necessidade obrigou-o a cumprir, intuitivamente ou após vários feedbacks, determinados procedimentos para garantir um bom trabalho. São procedimentos que parecem óbvios à primeira vista, mas que se não forem cumpridos, saltam à vista de quem ler a tradução, sobretudo se quem a ler estiver familiarizado com o assunto do texto em questão.

  1. Ler o texto a traduzir para conhecer a temática antes de começar – Quando o tradutor não é especializado ou não está familiarizado com o assunto tratado no texto, convém pelo menos identificar as suas “lacunas” para poder preparar-se como deve ser (pesquisas, consulta de documentos de referência enviados juntamente com o texto, etc.).

  2. Pesquisar sobre a temática ou o contexto do tema abordado no texto a traduzir – Este procedimento vem na sequência do anterior, depois de o tradutor identificar as suas “lacunas” sobre a área temática em questão. Envolve não só a pesquisa e leitura de documentos em geral, como também a pesquisa de terminologia apropriada para o contexto específico em que se insere o texto, já que, por exemplo, conforme o grau de especialização e os destinatários do texto, o tradutor poderá ter de optar por um determinado termo e não por outros sinónimos.

  3. Confirmar a terminologia em várias fontes – Tendo em conta que o campo de pesquisa por excelência é o vasto mundo da Internet, a probabilidade de encontrarmos diferentes terminologias nos mais variados documentos e páginas Web é muito grande. As fontes de instituições ou organismos oficiais serão sempre mais seguras, mas ainda assim, não é raro encontrarmos divergências de terminologia, conforme os documentos ou as páginas Web que consultamos. Identificar as fontes que poderão estar mais próximas ou relacionadas com o texto a traduzir é a melhor opção. Num texto de divulgação de um programa da Comissão Europeia, por exemplo, será mais útil consultar fontes da Comissão Europeia do que fontes da ONU ou fontes da OMC, já que estas poderão usar termos mais “internacionais” ou português do Brasil, no caso das traduções para o português.

  4. Adaptar a linguagem ao contexto e aos destinatários do texto – Existem textos mais ou menos técnicos, com linguagem mais coloquial ou mais formal e com finalidades de divulgação ou outras finalidades. O tradutor tem de identificar a linguagem e a finalidade usadas no texto original e adaptá-las para a sua língua.

  5. Ler o trabalho no final após algum tempo – Mesmo quando as traduções são posteriormente revistas por outras pessoas, há sempre o risco de o tradutor deixar escapar alguns erros, sejam omissões ou deslizes gramaticais. Deixar a tradução “repousar” durante algum tempo (quando esse tempo existe) permite ao tradutor ter algum distanciamento e detetar mais facilmente eventuais erros.

Haverá naturalmente muitas listas de “5 coisas que um tradutor deve saber” conforme a perspetiva em que abordarmos o tema. Estas são, no entanto, as cinco que nos parecem essenciais.

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