{"id":20083,"date":"2016-11-15T17:12:50","date_gmt":"2016-11-15T17:12:50","guid":{"rendered":"https:\/\/traductanet.mindseo.dev\/sem-categoria\/aristoteles-a-traducao-como-preservacao-do-pensamento-classico\/"},"modified":"2021-08-02T15:13:13","modified_gmt":"2021-08-02T15:13:13","slug":"aristoteles-a-traducao-como-preservacao-do-pensamento-classico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/traductanet.com\/pt-pt\/ultimas-noticias\/aristoteles-a-traducao-como-preservacao-do-pensamento-classico\/","title":{"rendered":"Arist\u00f3teles: a tradu\u00e7\u00e3o como preserva\u00e7\u00e3o do pensamento cl\u00e1ssico"},"content":{"rendered":"<p>Arist&oacute;teles (384-322 a.C.) &eacute; um dos fil&oacute;sofos da Gr&eacute;cia Antiga mais admirados em todo o mundo, pelos seus estudos nas mais diversas &aacute;reas do conhecimento. Mas como ter&aacute; chegado o seu pensamento at&eacute; aos dias de hoje?<\/p>\n<p>Chegou em pequena parte na <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/idiomas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">l&iacute;ngua<\/a> grega original e no latim que a substituiu como <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/idiomas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">idioma<\/a> de primeira import&acirc;ncia com a ascens&atilde;o do Imp&eacute;rio Romano na Europa, mas sobretudo atrav&eacute;s da <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&atilde;o<\/a> para o &aacute;rabe e posterior adapta&ccedil;&atilde;o a outras <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/idiomas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">l&iacute;nguas<\/a>.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&atilde;o<\/a> foi assim a grande respons&aacute;vel pela preserva&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o do pensamento deste fil&oacute;sofo grego at&eacute; &agrave; atualidade. Quanto do que atribu&iacute;mos a Arist&oacute;teles ser&aacute; mesmo seu &ndash; ou criado pelos sucessivos <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradutores<\/a> do seu trabalho?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Arist&oacute;teles: a preserva&ccedil;&atilde;o do pensamento na Antiguidade Cl&aacute;ssica<\/h4>\n<p>A cultura da Gr&eacute;cia Antiga e os seus pensadores mais importantes, nomeadamente ligados &agrave; filosofia, tiveram uma influ&ecirc;ncia poderosa sobre o Imp&eacute;rio Romano e continuam a ser considerados os fundadores da civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental.<\/p>\n<p>Muitos destes fil&oacute;sofos gregos foram por isso <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">traduzidos<\/a> para o latim e o seu pensamento difundido pelo imp&eacute;rio, adotado e transmitido de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o at&eacute; aos dias de hoje.<\/p>\n<p>Apesar de a maioria dos textos de Arist&oacute;teles serem notas de aulas ou apontamentos de alunos, alguns dos seus escritos tiveram a sorte de ser traduzidos para o latim, como o tratado sobre a l&oacute;gica, alvo de uma <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&atilde;o<\/a> de Bo&eacute;cio.<\/p>\n<p>Outros perderam-se para sempre, como os escritos que organizara e destinara para publica&ccedil;&atilde;o. Esta dispers&atilde;o aconteceu porque a escrita manuscrita n&atilde;o tinha a capacidade de ser perpetuada, pelo seu car&aacute;cter ef&eacute;mero e &uacute;nico.<\/p>\n<p>Mas outros dos seus textos sobreviveram, ainda, espalhados por v&aacute;rios locais do antigo Imp&eacute;rio Grego, preservados por disc&iacute;pulos de Arist&oacute;teles e traduzidos para outros <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/idiomas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">idiomas<\/a> influentes na &eacute;poca, como o &aacute;rabe.<\/p>\n<p>S&atilde;o estes &lsquo;livros&rsquo;, sobre os v&aacute;rios temas que estudou, compilados depois da sua morte, que apenas chegaram ao mundo ocidental muitos s&eacute;culos depois e em sucessivas <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&otilde;es<\/a>, tornando-se exemplificativas do pensamento do fil&oacute;sofo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Traduzindo Arist&oacute;teles: como os seus escritos chegaram at&eacute; n&oacute;s<\/h4>\n<p>S&oacute; no s&eacute;culo XX &eacute; que os acad&eacute;micos da Europa Ocidental tiveram acesso &agrave; totalidade do tratado de Arist&oacute;teles sobre f&iacute;sica, l&oacute;gica, psicologia, biologia ou pol&iacute;tica, dada a dispers&atilde;o dos seus escritos.<\/p>\n<p>A maioria dos seus textos que sobreviveu &agrave; queda do Imp&eacute;rio Grego encontrou ref&uacute;gio em algumas comunidades acad&eacute;micas no leste, entre os s&iacute;rios, passando para o dom&iacute;nio dos &aacute;rabes quando estes conquistaram a S&iacute;ria no s&eacute;culo 7 d.C.<\/p>\n<p>Os escritos de Arist&oacute;teles foram assim <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">traduzidos<\/a> para o s&iacute;rio e o &aacute;rabe entre os s&eacute;culos V e X e depois difundidos no mundo isl&acirc;mico, influenciando o pensamento filos&oacute;fico &aacute;rabe e nunca atravessando fronteiras para o mundo ocidental.<\/p>\n<p>O primeiro encontro com estes textos aconteceu no s&eacute;culo XI, com a reconquista crist&atilde; de algumas cidades europeias aos &aacute;rabes e a <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&atilde;o<\/a> de parte do pensamento aristot&eacute;lico existente em &aacute;rabe para o latim.<\/p>\n<p>A principal dificuldade encontrada foi a diferen&ccedil;a radical entre a estrutura da <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/idiomas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">l&iacute;ngua<\/a> &aacute;rabe e a <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/idiomas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">l&iacute;ngua<\/a> grega, primeiro, e depois entre o &aacute;rabe e o latim para o qual se pretendia <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">traduzir<\/a>.<\/p>\n<p>Com a reconquista de Constantinopla no s&eacute;culo XIII, os acad&eacute;micos ocidentais ganharam acesso a alguns textos gregos mais pr&oacute;ximos dos originais de Arist&oacute;teles, o que lhes permitiu traduzi-los de forma mais simples e eficaz para o latim.<\/p>\n<p>Na Idade M&eacute;dia, no Renascimento e durante a Revolu&ccedil;&atilde;o Protestante as teorias aristot&eacute;licas foram frequentemente contestadas pelos acad&eacute;micos, que utilizaram maioritariamente as <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&otilde;es<\/a> dos seus escritos como base para novas teorias.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&atilde;o<\/a> assumiu, no caso particular de Arist&oacute;teles e de parte da cultura da Gr&eacute;cia Antiga, o papel e o poder de transmissora do pensamento cl&aacute;ssico. Do grego original pouco sobreviveu at&eacute; aos dias de hoje, s&oacute; mesmo em sucessivas <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&otilde;es<\/a>.<\/p>\n<p>Parte desta preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e da doutrina aristot&eacute;lica sobreviveu tamb&eacute;m gra&ccedil;as ao papel dos disc&iacute;pulos de Arist&oacute;teles, que assumiram a miss&atilde;o de espalhar as suas teorias e o que com ele aprenderam.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o ser&aacute; toda a transmiss&atilde;o de conhecimento e toda a <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&atilde;o<\/a> de um texto escrito e lido uma constru&ccedil;&atilde;o sobre as bases originais? Neste sentido, manter a fidelidade ao verdadeiro pensamento de Arist&oacute;teles torna-se bem mais complexo.<\/p>\n<p>Alguns acad&eacute;micos referem mesmo uma poss&iacute;vel deturpa&ccedil;&atilde;o do pensamento aristot&eacute;lico em face da impossibilidade de autenticar a origem dos textos <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">traduzidos<\/a>, por um lado, e por outro de transmitir fielmente o que se l&ecirc;.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradu&ccedil;&atilde;o<\/a> envolve sempre uma recria&ccedil;&atilde;o por parte do <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradutor<\/a>, o que, por si s&oacute;, limita o acesso &agrave; obra original. No caso de fam&iacute;lias lingu&iacute;sticas com constru&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas e gramaticais d&iacute;spares, o resultado &eacute; ainda mais comprometedor.<\/p>\n<p>Ao lermos Arist&oacute;teles, estamos na realidade a ler as vis&otilde;es de v&aacute;rios <a href=\"http:\/\/www.traductanet.pt\/services\/traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradutores<\/a> e culturas sobre as suas teorias. Desta forma, ser&aacute; poss&iacute;vel garantir a correta atribui&ccedil;&atilde;o da doutrina aristot&eacute;lica ao pr&oacute;prio Arist&oacute;teles?<\/p>\n<p><strong>Fontes:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.ontology.co\/corpus-aristotelicum.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ontology<\/a>, <a href=\"http:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/arabic-islamic-greek\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stanford Encyclopedia of Philosophy<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.mathpages.com\/home\/kmath219\/kmath219.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MathPages<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arist\u00f3teles (384-322 a.C.) \u00e9 um dos fil\u00f3sofos da Gr\u00e9cia Antiga mais admirados em todo o mundo, pelos seus estudos nas mais diversas \u00e1reas do conhecimento. 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